Há um ano, eu trabalhava na Livraria Cultura. Certo dia, uma senhora veio até o Setor de Reservas buscar o seu exemplar italiano da Divina Comédia, de Dante Alighieri, e me encantou ao falar sobre como o meu nome era também o da musa inspiradora de Dante, sua amada Beatriz. A fala da senhora me encantou e aventurei-me pelo universo dantesco, caminhando com Dante em sua jornada pelo Inferno, Purgatório e, enfim, o Paraíso.
E eis que, 365 dias depois, deparei-me novamente com a descida do poeta ao mundo inferior nas páginas da nova obra de Dan Brown. Mais uma vez, o leitor acompanha o simbologista Robert Langdon por um mundo de obras de arte famosas que compõem mistérios envolventes. Dessa vez, a ameaça enfrentada por Langdon parte de uma ameaça biológica, um vírus escondido capaz de reduzir a população em prol da sobrevivência da raça humana.
A primeira página prende a respiração de quem segura o livro: Langdon acorda em um hospital na Itália, com um ferimento na cabeça e nenhuma lembrança do que aconteceu nos dias anteriores. Começa então a sua aventura, que acaba por ser guiada pelas páginas do Inferno de Dante. O personagem principal (e, diga-se de passagem, o leitor que o acompanha) sente como se fosse ele o acompanhado por Virgílio pelos nove círculos do Inferno. Dan Brown desvenda a Itália por meio de nomes como Botticelli e Vasari, além da trilha sonora de Franz Lizst.
A já conhecida habilidade do autor de fazer com que o leitor conheça a fundo obras de arte mundialmente famosas e as ruas da Itália não é suficiente e dessa vez Brown nos faz refletir sobre o perigo da superpopulação. Suas palavras colocam em dúvida os atos do "vilão" da história, e nos pegamos refletindo sobre o terrorismo justificado da ameaça criada. Como sempre, a pesquisa a fundo feita pelo autor com a ajuda de sua mulher dá uma veracidade à obra que é pouco encontrada no mundo da literatura.
Se o nome de Dante é lembrado ao falar de "literatura obrigatória", assim deve ser o de Dan Brown. Além de entretenimento, Inferno pode ser uma grande fonte de aprendizado sobre a história da arte, a simbologia e a filosofia. Vale a pena acompanhar Robert Langdon em sua descida à lagoa que não reflete as estrelas.

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