quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O Livro Que Roubava Sentimentos



 Quando Markus Zusak conta uma história, você deve parar para ouvir. Principalmente quando suas palavras são transmitidas pelos lábios frios de ninguém menos do que a própria Morte. Ela, que teve tanto trabalho durante a Segunda Guerra Mundial, deixa de lado os seus afazeres por alguns instantes a fim de narrar a trajetória da Menina Que Roubava Livros, a magricela Liesel Meminger.
 Tudo começa com a morte do irmão de Liesel. Esse é o primeiro encontro da Morte com a garota, que rouba o seu primeiro livro naquela noite. O Manuel do Coveiro é o objeto ao qual a menina se agarra firmemente na tentativa de trazer o seu irmão de volta, bem como manter a memória da sua mãe, que é vista pela última vez antes de deixar Liesel na casa dos Hubbermann.
  A obra de Zusak tem a Alemanha nazista como cenário. Rosa e Hans Hubbermann são habitantes da Rua Himmel, uma das últimas a serem afetadas pela guerra por estar localizada em um bairro pobre. A escrita de Zusak faz com que o leitor se apaixone tanto pelos residentes quanto pela rua em si. É impossível não torcer pelo amor infantil de Liesel e Rudy Steiner, simpatizar com a mulher do prefeito é até sentir uma ligeira afeição por Frau Holtzapfel.
 Porém, ao lado de Liesel, talvez o personagem que mais fascina o leitor seja Max Vandenburg, o judeu acolhido no porão dos Hubbermann. Após a sua chegada, é possível sentir-se como A Menina Que Roubava Livros, que estava sempre disposta a virar mais uma página por mais cansada que se sentisse. O amor da alemã e o judeu no porão fazem do livro uma leitura melancólica e que, ainda assim, é imprescindível para a estante de todos os sacudidores de palavras.
 Markus Zusak brinca com os sentimentos dos leitores ao longo das mais de 400 páginas da obra, trazendo a reflexão sobre todos os valores que regem as sociedades de todos os tempos. Os eventos vividos por Liesel Meminger e narrados pela Morte devem ser lidos por todas as gerações de amantes de livros e guardados como se fossem de uma única edição, selecionados especialmente para o indivíduo e pintados à dedo no porão da Rua Himmel. 


A Menina Que Roubava Livros em uma palavra: melancolia.


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